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Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

HOMENAGEM MUITO ESPECIAL

 

Se, por um lado, este pretende ser um blog sobre Medicina, por outro, é um blog meu, estudante de Medicina na Faculdade de Medicina de Lisboa... Como tal, dou-me ao luxo de fugir a alguns parâmetros...

Como era de esperar, pelo menos no seio da nossa grande faculdade, a Mané foi contemplada com o prémio de Grande FMélica pelo fantástico contributo que dá diariamente à nossa faculdade, particularmente na disciplina de Introdução à Medicina.

Assim, quero deixar também aqui o meu reconhecimento a esta grande pequena senhora da FML pela sua constante disponibilidade, irreverência e simpatia.

Parece-me, no entanto, justo que o pódio seja partilhado pelo seu "colega", o Dr. Miguel, outra personagem fundamental no palco da FML, sempre prestável e omnipresente.

A ambos, um sentido obrigada!!!

 

Já agora passem por:

http://fracturaexposta.blogspot.com/

 

Não se vão arrepender!

 

E porque estou numa de agradecimentos (e porque a foto o justifica) um grande beijinho aos meus colegas e amigos da faculdade, que me aturam dia após dia sem reclamar (por enquanto...).

Um beijinho especial para a Carolina, a Telma, o Fernando, o Francisco, as Joanas, a Rita, ... Obrigada pelo apoio constante!

 

Vânia Caldeira

publicado por Dreamfinder às 16:55

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Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

VIVER COM A NATUREZA

Ao ver a reportagem na televisão sobre um agrupamento de escuteiros recordo os bons tempos de escutismo que vivi, as aventuras, os desafios, ... e tenho saudades desses tempos. Óptimos tempos. Cada acampamento era vivido com uma emoção especial, o companheirismo era uma realidade constante na divisão de tarefas, no espírito de patrulha e de entre-ajuda...

Mas enfim, vou procurar não me dispersar. O Escutismo comemora o seu centenário. Em honra a este marco, a SIC foi ao encontro dos Caminheiros do Agrupamento 55 Amadora que estão a fazer a reconstrução de uma verdadeira aldeia escutista. Esta aldeia, a que deram o nome de Drave na Serra de São Macário é mais do que um simples projecto. É um sonho, um verdadeiro ideal escutista, idêntico aos que o fundador do Escutismo incentivava aos seus seguidores.

Um local mágico, isolado, que partilha da pureza da Natureza e que permitirá, certamente, a vivência de momentos únicos e genuínos e a renovação, neste centenário, do espírito escutista.

Guiados pela vara bifurcada que os simboliza, estes Caminheiros e muitos outros de outros agrupamentos, vão construir este seu ideal, vão alcançar esta sua meta, trilhando inúmeros caminhos, vencendo obstáculos, fazendo constantemente inúmeras e difícieis escolhas. Além disso, com o seu trabalho estes Caminheiros representam toda a família escutista e os ideais de todas as outras secções.

No final? Esperamos que a aldeia escutista seja o local mágico onde o sol e o amarelo dos lenços dos Lobitos irá brilhar, os trilhos aventureiros que os Exploradores com o seu lenço verde, cor da esperança de novos mundos e da natureza, irão explorar, as novas metas e desafios que os Pioneiros, envergando o seu lenço azul, cor de novos horiontes, irão aceitar.

Todos juntos, como família escutista, como Corpo Nacional de Escutas terão, certamente, dado mais um passo na missão que o seu, o nosso líder, Baden-Powell nos legou:

"Deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos!"

 

publicado por Dreamfinder às 20:58

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Domingo, 27 de Maio de 2007

LEVANTAR A TAÇA!!!

 

 

 

TAÇA DE PORTUGAL 2006/07

 

A Taça já é nossa... Vocês mereciam levantá-la em braços!

Mais uma vez cumpriu-se o lema "esforço, dedicação, devoção e glória" levaram-vos à vitória.

Sofremos e continuaremos a sofrer porque, no fim, vale sempre a pena!

Obrigada por nos fazerem sonhar, obrigada por concretizarem os nossos sonhos!

Para já a festa e para o ano, se tudo correr bem, o título!

Sporting sempre, venha quem vier!

 

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publicado por Dreamfinder às 21:03

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Sábado, 26 de Maio de 2007

PÉ-DE-ATLETA

O pé-de-atleta é uma micose causada por fungos do género Epidermphyton. Este fungo é um microorganismo capaz de, em condições ideais para se proliferar, causar infecções.
Os fungos desenvolvem-se em todo o tipo de ambientes, porém mais ainda em lugares onde existe pouca ou nenhuma luz, bastante humidade e matéria orgânica morta.
O pé-de-atleta é uma infecção extremamente comum, que ataca mais homens do que mulheres, em geral adultos e é cientificamente chamado de Tinea pedis.
Ele pode incidir na pele e nas unhas, na região dos pés, sendo mais acentuado entre os dedos dos pés e de tratamento mais prolongado quando atinge as unhas.
Quando os fungos que causam o pé-de-atleta (os Epidermphyton) entram em contacto com a pele dos pés, particularmente nos vãos dos dedos, que é a região normalmente mais abafada e mais húmida, surge uma reacção no tecido de modo a combater os efeitos do agente nocivo. O pé-de-atleta, além do desconforto, causa problemas estéticos nos pés. Assim, os pés reclamam quando as unhas se tornam queratinosas e fracas, às vezes curvas, ou quando, por entre os dedos, surgem feridas que causam uma impressão de falta de cuidados ou de higiene.
As feridas podem surgir desde uma pele vermelha que se descama até pequenas bolhas e um formato esbranquiçado da pele, com leves tons cinza, típicos de fungo (de aparência semelhante à casca da laranja contaminada por fungos).
Os pés também reclamam quando começam a sofrer pruridos, ou quando, depois de avançada a micose, são obrigados a esconderem-se dentro dos sapatos quando a pessoa sai à rua.
Os pés não servem apenas para sustentação do nosso corpo, mas também para nossa locomoção e são umas das formas de apresentação no convívio social. Pés bem tratados exibem-se sem reclamar e, para isso, há que se ter os cuidados necessários.

Entre os mais comuns factores de risco estão o uso de sapatos fechados e de meias sintéticas, uma má higiene dos pés, o acto de andar descalço em balneários ou nas piscinas e o stress, que ao tornar mais vulnerável o nosso sistema imunitário, aumenta a facilidade da infecção.

Assim, e mais uma vez, a prevenção revela-se fundamental para evitar esta desagradável infecção. Entre os comportamentos preventivos a adoptar podem ser referidos:

- Lavar bem os pés e enxugar principalmente no espaço entre os dedos.
- Procurar um dermatologista caso se verifique algum sintoma de descamação, dor sob as unhas ou aparência de ‘bolor’ nos vãos entre os dedos do pé.
- Iniciar o tratamento o mais rápido possível após a constatação de pé-de-atleta, lembrando que uma infecção, se mal cuidada, pode desenvolver outras doenças.

- Limpar os sapatos por dentro, usando desinfectante diluído ou álcool, deixando-o secar bem antes de calçar.
- Não usar meias de fios sintéticos, preferindo as de algodão, que são permeáveis.


- Andar o maior tempo possível descalço, dentro de casa, e usar chinelos quando em espaços públicos como piscinas, praias e locais húmidos de grande afluência de pessoas.

O tratamento, geralmente, é feito com pós e cremes antifúngicos, de aplicação local. Se o problema estiver muito acentuado, o médico pode receitar um antimicótico via oral.

publicado por Dreamfinder às 10:53

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Sexta-feira, 25 de Maio de 2007

A MAIS BELA DAS CIDADES

"Pensa que o tempo é uma casa e que, infelizmente, aos que não têm saúde só resta uma cabana. Mas se cada um de nós, donos de mansões, lhe dermos um tijolo, o mundo poderá ser a mais bela das cidades."

Maria Rosário Pedreira

publicado por Dreamfinder às 22:41

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Quinta-feira, 24 de Maio de 2007

"PATCH ADAMS"

 

Este magnífico filme inspirado em factos verídicos é uma verdadeira lição sobre o que a Medicina deve ser.

É numa clínica psiquiátrica, quando ajuda um colega, que Patch descobre a sua verdadeira vocação: quer tirar o curso de Medicina para ajudar os outros.

Mas Patch não marca a vida das outras pessoas apenas por este seu desejo de os ajudar, marca-a sobretudo pela diferença, pela irreverência dos seus gestos e pela bondade das suas palavras. Os seus métodos convencionais são pouco apreciados pelos docentes e por alguns colegas. Por exemplo, ele diverte as crianças com cancro utilizando um simples nariz de palhaço.

 

“A Medicina é mais do que memorizar factos.”

 

Patch quer saber o nome do paciente e não o número da cama, é compreensivo e simpático, quer ajudar tudo e todos. É um estudante de Medicina sempre insatisfeito, tal o tamanho da sua vontade de ajudar e a sua esperança num mundo perfeito, onde tudo é possível, até mesmo uma Medicina humanizada, sem estatutos ou diferenças.

A sua melhor amiga, Carin, pelo contrário, tem a ambição de estudar mesmo a sério, quer a bata branca, quer ser tratada por “Dra”, quer o reconhecimento devido. Com Patch, no entanto, ela verá além da Medicina que conhece, ela alargará os seus horizontes…

 

“Depois conheci-te. A maneira como ajudas as pessoas, Patch, as mudanças que vejo nas pessoas que te rodeiam…”  (Carin)

 

Nesta altura, Patch cria uma clínica para atender excedentes (pessoas com problemas legais). Recebem doentes de 3 hospitais diferentes. As pessoas agradecem imenso este gesto. A clínica está sempre cheia de pessoas que necessitam da boa vontade destes estudantes. Num dia, escasseiam as ligaduras e Patch e um amigo vão roubá-las ao hospital. Carin fica sozinha e recebe a chamada de um estranho paciente que estivera noutro dia na clínica. A meio da noite ela vai visitá-lo, a pedido do mesmo, e encontra-o muito estranho. No dia seguinte, Patch recebe a notícia do assassínio da amiga e namorada.


“Amo-te sem saber como, ou quando ou de onde. Amo-te tal como és, sem complexos nem orgulhos. Amo-te porque não sei outro caminho além deste, tão perto que a tua mão no meu peito é a minha mão. Tão perto que quando fechas os olhos adormeço.”

 

 

Ele quer desistir, nada mais faz sentido, ir embora do “hospital improvisado”. Truman lembra-lhe que desistir desta clínica é desistir dos sonhos em que acreditavam, dos ideais de que Carin também partilhou. É naquilo que eles acreditam, se desistirem tudo foi em vão.

 

“Fui eu que a matei, Truman. Ensinei-lhe a Medicina que a matou. (…) Ela ainda estaria aqui se eu não a tivesse conhecido.”

 

Mas nada parece demover Patch da sua angústia e da entrega. Porém, num determinado dia, um colega de curso que nunca gostou de Patch nem dos seus métodos pouco convencionais, dirigiu-se a ele desesperado:

 

“Não te podes ir embora, Patch. Conheces a Sra. Kennedy do 212? Não come. Visitei o seu quarto, todos os dias, nas últimas 3 semanas. Não consigo fazê-la comer. Sei tudo o que há para saber de Medicina. Estudei arduamente. Garanto-te que supero em diagnóstico qualquer médico deste hospital. Mas não a consigo fazer comer. Tu tens um dom. Tens jeito para lidar com as pessoas. Elas gostam de ti. E se fores embora, eu não posso aprender esse método.”

 

Novamente motivado a ficar, Patch continua a ter um problema: o reitor que o persegue desde o primeiro dia. Patch descobre nos registos de aluno que o reitor o acusa de “felicidade excessiva”. Utiliza isto para se queixar de preconceito num conselho da faculdade. Neste é acusado de exercer Medicina sem licença e perguntam-lhe se faz ou não tratamentos.

“Em que ponto da História é que o médico se tornou mais do que um amigo de confiança, instruído que visitava e tratava os enfermos?”

 

Patch defende-se das acusações e ao fazê-lo, não só encanta toda uma plateia, como dá uma verdadeira lição sobre os ideais que devem viver na Medicina, os valores humanos de que ela deve ser novamente inspirada. A relação médico-doente é fundamental para que a Medicina possa ser praticada e tenha sucesso. Não devemos procurar tratar doenças, mas tratar doentes, em toda a sua complexidade biológica e psicológica.

 

“Que mal tem a morte? Porque não a encaramos com humanidade, dignidade e decência? E talvez até humor? A morte não é o inimigo, senhores. A lutar por uma doença, lutemos contra uma das mais terríveis: a indiferença. Sentei-me nas vossas escolas e ouvi pessoas falarem de envolvimento e distância profissional. O envolvimento é inevitável. Todo o ser humano tem impacto noutro. Porque não queremos isso numa relação médico-doente? A missão de um médico deve ser não só evitar a morte, mas também aumentar a qualidade de vida. Eu quero ser um médico com todo o meu coração.”

 

Em jeito de conclusão, Patch mostra que aquilo em que acreditamos vai além de nós mesmos, das convenções, das regras, do que os outros querem. Os ideais em que acreditamos podem vencer todos os obtáculos que encontram no caminho. Basta acreditarmos que é possível!

 

“Podem impedir-me de conseguir o título e a bata branca, mas não podem controlar o meu espírito. Não me podem impedir de aprender, não me podem impedir de estudar. Têm uma escolha: podem ter-me como um colega profissional e dedicado, ou podem ter-me como um forasteiro, sem rodeios, inflexível. Talvesz continue a ser visto como um espinho. Mas sou um espinho que não desaparecerá.”

 

O responsável pelo conselho da faculdade e pelo destino de Patch, cede às maravilhosas declarações do estudante de Medicina e decide deixá-lo cumprir a sua vocação:

 

“Juntamente com a sua rudeza e comportamento tem um entusiasmo, uma chama que só podemos esperar que se espalhe pela classe médica como um incêndio.”

 

O filme “Patch Adams” é uma lição de vida, sobre a importância de nos darmos aos outros, para nos revermos neles e para melhor nos conhecermos e realizarmos.

 

“É por isso que quando tratam uma doença perdem ou ganham.

Se tratarem uma pessoa, garanto-vos, que ganham,

seja qual for o resultado final.”

“Patch Adams”

publicado por Dreamfinder às 21:43

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Quarta-feira, 23 de Maio de 2007

DIA DO AUTOR PORTUGUÊS

 

Porque ontem foi o Dia do Autor Português, não posso deixar de assinalar esta tão importante data com uma pequena homenagem ao esplêndido mundo literário português, que muitas vezes esquecemos, para valorizar o que é estrangeiro.

No que toca a literatura uma coisa é certa: nas traduções perde-se imenso. Por melhor que seja a tradução, as palavras não são aquelas que o autor demorou tempo a escolher, o significado pode estar ligeiramente alterado, a sonoridade não é certamente a mesma.

 

Enfim, aos autores portugueses, do melhor que o país tem:

 

"São Leonardo da Galafura

À proa dum navio de penedos,
A navegar num doce mar de mosto,
Capitão no seu posto
De comando,
S. Leonardo vai sulcando
As ondas
Da eternidade,
Sem pressa de chegar ao seu destino.
Ancorado e feliz no cais humano,
É num antecipado desengano
Que ruma em direcção ao cais divino.

Lá não terá socalcos
Nem vinhedos
Na menina dos olhos deslumbrados;
Doiros desaguados
Serão charcos de luz
Envelhecida;
Rasos, todos os montes
Deixarão prolongar os horizontes
Até onde se extinga a cor da vida.

Por isso, é devagar que se aproxima
Da bem-aventurança.
É lentamente que o rabelo avança
Debaixo dos seus pés de marinheiro.
E cada hora a mais que gasta no caminho
É um sorvo a mais de cheiro
A terra e a rosmaninho!"

            Miguel Torga
 
"Hora

Sinto que hoje novamente embarco
Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta --- por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.

Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.

E dormem mil gestos nos meus dedos.

Desligadas dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.

Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.

E de novo caminho para o mar.

                    Sophia de Mello Breyner Andresen


"Ouvir era um segredo. Ela ouvia muitas coisas, algumas impossíveis. 
Por exemplo, bastava-lhe olhar a pauta para ouvir a música lá escrita. 
Como se dentro dela alguém tocasse. Às vezes ela saía, caminhava na rua, 
tocando apenas mentalmente, para não se deixar interromper. 
Só quando chovia, ela se abrigava debaixo de uma varanda ou no varão de 
uma porta, parava mentalmente de tocar e fechava o piano."
			Teolinda Gersão in Os Teclados
"Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: «Fui eu?»
Deus sabe, porque o escreveu."
		Fernando Pessoa
publicado por Dreamfinder às 21:28

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Terça-feira, 22 de Maio de 2007

CALOR QUE MATA!

O Verão é, certamente, a altura mais esperada do ano. Não só porque é sinónimo de férias, mas particularmente porque é sinónimo de bom tempo, sol, praia, calor… No entanto, nos últimos anos este calor tem-se tornado, não apenas desagradável, como também fatal.

No cronograma oficial, Portugal está a partir de hoje preparado para o calor, estando os meios de prevenção reforçados, tanto na atenção aos grupos de risco mais afectados pelas ondas de calor, como na vigilância aos fogos florestais.

Na área da saúde foi elaborado, pelo quarto ano consecutivo, mais um plano de contingência para as ondas de calor. Apesar de todos os planos e toda a preparação, o que os dados estatísticos nos dizem é que, efectivamente, o calor mata! Em Portugal, no ano de 2005, uma onda de calor que ocorreu em Junho, matou cerca de 462 pessoas. No ano passado, duas vagas de calor, provocaram 1259 mortes.

A Direcção Geral de Saúde assume que as ondas de calor poderão fazer-se sentir novamente este ano e com maior impacto. Como o Inverno foi brando, muitas pessoas debilitadas que escaparam às complicações do frio poderão ser vítimas de um eventual Verão tórrido.

É importante que a informação chegue sobretudo aos meios mais próximos dos grupos de risco: crianças e idosos, os mais frágeis relativamente às variações bruscas de temperatura. A DGS não só tem feito chegar a informação a inúmeras instituições associadas, como a própria União das Misericórdias Portugueses se comprometeu a ajudar na divulgação dos riscos do calor e das medidas preventivas a tomar.

Na realidade, as previsões britânicas sugerem que 2007 terá o Verão mais quente dos últimos anos. Esta tendência tem-se relevado cada vez mais preponderante nos últimos anos, já que dos 12 anos mais quentes registados desde há cerca de 150 anos, 11 estão entre 1995 e 2006, o que prova que as alterações climatéricas não se resumem a um mito. São reais e têm efeitos graves na população.

O que é certo é que, em Portugal, 2007 já vai quente. Os quatro primeiros meses do ano tiveram todos temperaturas médias acima dos valores considerados normais. Em Abril verificou-se a primeira vaga de calor. As próximas estarão para chegar.

A novidade deste ano serão as fichas de acção que a DGS está a ultimar, das quais três já foram concluídas, destinando-se uma aos profissionais de saúde, outra para prestadores de cuidados a idosos e uma terceira para quem trabalha com crianças.

É importantíssimo o acompanhamento destes grupos de risco: as crianças desidratam facilmente e são particularmente frágeis porque os seus mecanismos de regulação da temperatura corporal são ainda imaturos; nos idosos há um pior funcionamento destes, o que os deixa mais susceptíveis; também os doentes acamados, os obesos, indivíduos com problemas renais, doenças cardiovasculares crónicas e comportamentos de risco como o consumo excessivo de álcool ou exposição prolongada ao sol merecem especial atenção.

Mas quais são os efeitos deste calor excessivo no organismo humano? Cãibras musculares, pela perda de água e sais minerais; exaustão pelo calor, relacionada com uma mais rápida desidratação, que pode ainda causar náuseas, vómitos, dores de cabeça, tonturas; e golpe de calor, que corresponde já a uma emergência médica e que está relacionado com a incapacidade do organismo de regular a temperatura e consequente aumento excessivo da temperatura corporal interna, o que pode provocar lesões internas graves.

Também a Protecção Civil tem um papel relevante nestas situações, com a divulgação das medidas preventivas para evitar estes efeitos do calor excessivo. Entre as precauções recomendadas encontram-se as seguintes:

- Ingerir água ou outros líquidos não açucarados com regularidade, mesmo que não se sinta sede. Pessoas que sofram de epilepsia, doenças cardíacas, renais ou de fígado ou que tenham problemas de retenção de líquidos devem consultar um médico antes de aumentarem o consumo de líquidos.

- Os idosos devem ser incentivados a beber pelo menos mais um litro de água por dia para além da que bebem normalmente. Eles vão rejeitar mas deve-se insistir.

- Procurar manter-se dentro de casa ou em locais frescos.

- Em casa, durante o dia, abrir as janelas e manter as persianas fechadas, de modo a permitir a circulação de ar.

- Durante a noite, abrir bem as janelas para que o ar circule e a casa arrefeça.

- Evitar sair à rua nas horas de maior calor, e quando se sai proteger-se usando um chapéu ou um lenço.

- Vestir roupas leves de algodão e de cores claras. As cores escuras absorvem maior quantidade de calor.

- Evitar usar vestuário com fibras sintéticas ou lã. Provocam transpiração, podendo levar à desidratação.

- Evitar fazer exercício físico ou outras actividades que exijam muito esforço.

- Evitar estar de pé durante muito tempo, especialmente em filas e ao sol.

- Um pequeno duche de água tépida arrefece o corpo rapidamente aumentando o conforto. Se o corpo estiver muito quente evitar tomar banho com água muito fria.

Claro que na praia os cuidados se redobram, devendo-se fazê-lo apenas nas primeiras horas da manhã (até às 11 horas) ou ao fim da tarde (depois das 17h), manter-se à sombra, usar chapéu, óculos escuros e protector solar.

E agora é caso para perguntar: o Verão será assim tão agradável?

publicado por Dreamfinder às 21:36

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Segunda-feira, 21 de Maio de 2007

A SAÚDE NO LOCAL DE TRABALHO

 

A Saúde no Trabalho é outro dos focos de intervenção da Medicina Preventiva. O controlo das condições no local de trabalho está cada vez mais delimitado pela legislação e mais exigente mas, no entanto, apesar disso, continuam a ser comuns os acidentes de trabalho relacionados com a falha deste controlo.

Assim, também é importante a promoção da saúde no espaço de trabalho, através da regulação dos factores ambientais e do controlo das condições de trabalho.

Nos factores ambientais incluem-se o estado das instalações; quaisquer factores contaminantes do meio ambiente e prejudiciais para a saúde (de natureza física, química, biológica, …); as exigências laborais e consequente sobrecarga física e psíquica, relacionados com a organização do trabalho; e as condições de segurança.

Mas se todos estes factores, que se podem considerar físicos, têm uma implicação directa na saúde dos indivíduos, também factores de ordem mais psicológica e social influenciam o estado de saúde. Entre estas condições de trabalho que condicionam a saúde podem destacar-se a existência de um ambiente são e seguro, o interesse e a criatividade das tarefas, o direito de participar, a possibilidade de novas aprendizagens e de maior evolução, o estabelecimento de relações laborais sem autoritarismo e de boas relações de entre-ajuda entre colegas de trabalho…

Apesar de talvez não ser costume pensarmos muitos neste tipo de promoção, a promoção para a saúde no local de trabalho (PST) revela-se importantíssima para a prevenção de inúmeros acidentes ou patologias associadas a longo prazo. A PST tem dois grandes objectivos na área da prevenção: mudar comportamentos e estilos de vida, que se esperam (que se espera que se tornem mais saudáveis) e a educação para a saúde no trabalho. A promoção para a saúde no trabalho deve ocorrer sempre a três níveis: individual, organizacional e económico.

Concluindo, a Medicina Preventiva, tanto na promoção para a saúde, como na prevenção da doença, deve não só visar grupos de risco, mas também locais de risco, como é o caso do local de trabalho. É importante a sensibilização da população para estes riscos e para a alteração de comportamentos necessária para os evitar.

publicado por Dreamfinder às 21:50

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Domingo, 20 de Maio de 2007

"MAR ADENTRO" E A EUTANÁSIA

Ramón Sampedro viajou por todo o mundo como marinheiro. Conhecia o mar como ninguém, mas um dia a sorte atraiçoou-o. Num mergulho igual a tantos outros, bateu com a cabeça num fundo de areia, ficando tetraplégico.

Fica nesta situação 28 anos, 28 anos de cama sem conseguir mexer nada abaixo do pescoço, 28 anos de luta contra o que acreditava ser o seu direito, ter uma morte digna.

Mar Adentro conta-nos muito mais do que a “simples” história de um homem tetraplégico, fala-nos do desespero deste homem que sente que já viveu tempo demais e não quer ser um peso durante o resto da sua vida para a sua família. Os familiares não compreendem a vontade de Ramón porque o amam e não o querem perder.

O filme conta-nos como duas mulheres entram na vida de Ramón, uma é a advogada que apoia a sua causa, e outra tenta a todo o custo fazer crer a Ramón que vale a pena viver. No entanto, Ramón não procura alguém que o ame para o prender à vida, procura alguém que o ame a ponto de o ajudar a morrer.

Tudo isto é misturado num cocktail de emoções fortes, que nos levam a ponderar até que ponto uma pessoa tem ou não direito a decidir acerca da sua vida? Porque é que este homem não pode morrer, se é essa a sua vontade?

Porque é que a lei já permite que se mande na vida de outro ser, através da legalização da interrupção voluntária da gravidez, e não permite que uma pessoa, imensamente limitada como Ramón, dependente de cuidados alheios, possa decidir que quer morrer? A eutanásia é um tema controverso que continuará, certamente, a suscitar muita discussão.

publicado por Dreamfinder às 21:29

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